Vamos refletir sobre um fenômeno observado em muitas equipes e empresas há muito tempo: somos, em geral, rápidos ao apontar os erros dos outros, condenar e se queixar e lentos ao reconhecer seus acertos, elogiar e sentir gratidão.

Qualquer atividade corporativa envolve prioritariamente o relacionamento com pessoas. Ao ler o primeiro capítulo do clássico best-seller “Como fazer amigos e influenciar pessoas” de Dale Carnegie, você encontrará o princípio “Não critique, não condene, não se queixe”, fundamental para compreender os prejuízos da crítica vazia, da condenação alheia e também da reclamação crônica e passiva.

Ou seja, uma leitura importantíssima para quem busca a base de relacionamentos profissionais e pessoais duradouros. Descubra neste artigo como e por que você deve evitar a tríade dos hábitos inúteis: criticar, condenar e se queixar.

Criticar e condenar: muito ajuda quem não atrapalha!

“A crítica é fútil, porque coloca um homem na defensiva, e, comumente, faz com que ele se esforce para justificar-se” o que não é eficiente ou positivo, alerta Dale Carnegie. Ou seja, a crítica fere o orgulho da pessoa que a recebe, que sente que a sua importância foi subestimada pelo crítico em questão.

Assim,através da crítica não operamos mudanças duradouras e, muito pior, favorecemos o ressentimento. Podemos admitir, então, que a crítica não ajuda no desenvolvimento de alguém e, de forma geral, atrapalha muito as relações — pois dificilmente, pessoas que se sentem usadas, subestimadas ou mal apreciadas, pelos seus esforços, encontrarão a energia e a paixão para oferecer seu melhor à sua equipe, ao seu líder, à sua empresa ou a quem quer que seja. Perceba que é improvável encontrar motivação intrínseca acompanhada de ressentimento.

Se a crítica é ineficiente, pouco ajuda e muito atrapalha, por que então a resistência em reconhecer algo positivo nas pessoas no trabalho? Por que muitos líderes simplesmente negligenciam dar feedback positivo para seus colaboradores?

Bem, talvez a crítica esteja enraizada demais em nossa cultura que tenha se tornado um hábito. Se for assim, mais do que nunca, se desejamos o desenvolvimento das equipes e das relações pessoais no ambiente corporativo, precisamos refletir e trabalhar para mudar esse padrão de comportamento nas lideranças.

Muitas críticas e poucos elogios podem acabar com a disposição do profissional no ambiente de trabalho. Quando a bronca é injusta, a situação pode ficar ainda pior. Mas o funcionário que sabe questionar as críticas pode transformar a raiva em uma relação profissional melhor. Afinal, nos mostrou Carnegie: “Quando tratarmos com pessoas, lembremo-nos sempre que não estamos tratando com criaturas lógicas. Estamos tratando com criaturas emotivas, criaturas suscetíveis às observações norteadas pelo orgulho e pela vaidade”.

Todos nós temos o hábito de criticar e somos quase sempre inconvenientes e mal interpretados quando decidimos opinar sobre algo que observamos no outro e que julgamos ser um defeito, principalmente em situações nas quais a nossa opinião não foi solicitada.

O ideal é opinar apenas se nos pedem ou em momentos nos quais avaliar e criticar é parte da função, como acontece nos casos da aprendizagem, por exemplo, quando um professor precisa opinar e criticar utilizando uma forma adequada de comportamento.

As motivações que levam as pessoas a agir de modo crítico em relação aos outros são variadas. Qualquer que seja a motivação, os indivíduos que costumam agir de modo crítico acabam sempre errando, pois tornam a relação com o outro vulnerável visto que as críticas – mesmo as construtivas – são quase sempre recebidas e interpretadas como agressão.

Praticamente todas as críticas que alguém recebe sem ter solicitado gera um desconforto destrutivo e por isso comprometem os relacionamentos. Ninguém gosta de ser criticado – essa é a verdade. Além disso, não julgue para não ser julgado.

Ao contrário do que se pensa, criticar apenas destrói a pessoa que critica

A crítica provoca uma reação negativa no criticado e também em quem critica. Ninguém tem a verdade absoluta e, ao criticar, você está julgando algo que pensa estar errado. Acontece que nem sempre sabemos toda a história. Ninguém gosta de ser julgado sem motivo. Se você não quer ser criticado por algo que não fez, não faça o mesmo com as outras pessoas.

Banner E-book Dale Carnegie - Relações Interpessoais

Sendo assim, é importante destacar que o mundo não gira em torno do seu umbigo. Tente ser mais tolerante, viva e deixe viver. E, na próxima vez que for criticar ou julgar uma outra pessoa, pense antes em 3 perguntas:

  • A minha crítica é construtiva e vai ajudar o outro a ser melhor?
  • Eu também não faço aquilo que estou criticando?
  • Não seria melhor gastar as minhas energias para tentar entender antes de criticar?

Talvez as críticas sejam mesmo desnecessárias, visto que a aprendizagem se dá através de nós mesmos, da nossa vivência, dos nossos erros, da nossa observação e das nossas relações. Não se pode mudar o outro, mudamos apenas a nós mesmos e esse é o grande trabalho que temos. Quem está vivendo para criticar, acaba por perder a empatia e por danificar sua própria capacidade de amar incondicionalmente.

Raríssimas são as circunstâncias nas quais uma crítica é de fato construtiva e necessária. As críticas construtivas costumam acontecer a pedido da outra parte, ou seja, quando alguém solicita a opinião sincera do outro que lhe é confiável.

Existem indivíduos que se comportam sempre de forma muito crítica com os outros e que defendem de uma forma rígida tudo o que acreditam. Eles costumam ter supostas convicções muito sólidas e agem de modo radical. Acreditam estarem sempre certos e concluem que o que está errado, de acordo com sua visão, deve ser mostrado.

Esse tipo de pessoa não tem muita autocrítica, não costuma olhar para dentro de si nem refletir sobre seus atos; apenas acredita ter posse de uma espécie de “manual do certo/errado” e se acha no direito de ensinar isso aos outros. Elas falam tudo o que pensam, mesmo sem terem sido questionados e criticam a todos os desiguais.

As pessoas críticas quase nunca percebem os danos que sua conduta gera e nem tampouco as deficiências nas relações que acabam se tornando inevitáveis.

Se queixar é perder tempo produtivo!

Na sequência do princípio de Carnegie: não critique, não condene, temos agora, não se queixe. Sabemos que não reclamamos ou nos queixamos para torturar os outros com insatisfação e negatividade, isso com certeza.

Quando a maioria de nós sente algum desconforto, a ideia de “desabafar” é muito acolhedora. A ciência, no entanto, sugere haver algumas falhas graves neste raciocínio. Expressar a raiva reclamando não tende a nos fazer sentir melhor, e ainda faz com que nossos ouvintes também se sintam mal. Parece uma boa ideia, mas é absolutamente errado.

Além de minar suas relações pessoais, embriagar-se na negatividade e na reclamação traz prejuízos sérios para a sua saúde física e mental, como estresse e suas consequências.

Às vezes gastamos nossa energia, inteligência e criatividade reclamando e procurando culpados pela nossa insatisfação, o que é uma grande perda de tempo. Pessoas que reclamam demais tendem a se colocar como vítimas. Como diz Dale Carnegie: “eis a natureza humana em ação, o culpado culpando todos menos a si mesmo!“

Por isso, antes de reclamar e gastar sua energia procurando culpados pelos seus problemas, não seria mais produtivo arregaçar as mangas e tentar mudar a realidade de forma objetiva e planejada?

E, então gostou do texto? Quais dicas você adicionaria? Compartilhe conosco nos comentários. E conte com a tradição dos treinamentos da Dale Carnegie para ajudar a transformar suas competências de liderança e motivação.

Banner E-book Dale Carnegie - Relações Interpessoais