A liderança liberal é um estilo de gerência que tem suas próprias peculiaridades, qualidades e deficiências, como todos os tipos de liderança têm. Podemos resumir em três aspectos uma liderança liberal:

  1. Está baseada na confiança do líder nos liderados;
  2. É fomentada pelo desejo de autonomia da nova geração de profissionais;
  3. É diferente de ausência de liderança.

Dito isto, vamos agora explorar cada um desses aspectos, para que você possa entender se a liderança liberal é o seu estilo.

1) O que torna um líder liberal é a confiança

Líderes liberais costumam ter em mente algumas crenças. Acreditam que é mais vantajoso “observar a inteligência” a “ensinar a mecânica”. Escolhem “pôr à prova um novo talento” a “criar uma cópia de si mesmo”. Ou, ainda, entendem ser suficiente “dar o exemplo uma vez” em vez de “supervisionar o trabalho todos os dias”.

É louvável a sua visão de mundo, especialmente porque corresponde às expectativas da nova geração que ingressa no mercado, de espírito empreendedor e livre. No entanto, vale a pena ressaltar que um líder se torna liberal por uma soma de fatores bastante práticos, e o primeiro deles é: sente-se seguro em confiar no time que montou.

Outros fatores também entram na fórmula por trás da criação de um líder liberal:

  • Não encontra tempo hábil de se envolver nas tarefas do seu time, por estar ocupado com outras funções, como relacionamento com investidores e reuniões externas;
  • Enxerga a autonomia como a precursora da criatividade e, portanto, geradora de pontos de vista inovadores;
  • É tolerante com o erro, consciente de que o erro é inerente ao processo de inovação de qualquer empresa – ou, como se diz em startups: “testar rápido, errar rápido, corrigir mais rápido ainda”;
  • Está disposto a receber feedbacks sinceros sobre a melhor forma de cumprir uma atividade ou desenvolver um novo produto, por entender que não detém todos os conhecimentos necessários.

E aqui tocamos em outro ponto-chave:

2) Liderança liberal é a mais desejada pela nova geração de profissionais

Os jovens da geração Millennium, entre 18 e 35 anos, representam grande parte do corpo das empresas, ora como colaboradores ora como os próprios fundadores. Diante disso, é inevitável voltar os olhos para o que eles entendem como liderança inspiradora.

Na realidade, o seu desejo não é tão diferente do das demais faixas etárias: querem autonomia e liberdade criativa. Por um motivo simples: poderem se sentir os principais responsáveis por suas conquistas e resultados.

É uma geração que prefere “aprender fazendo” a “aprender obedecendo”. Querem “descobrir referências” em vez de “seguir instruções”. Entre “definir suas próprias metas” e “perseguir metas atribuídas a eles”, escolhem a primeira opção.

3) Liderança liberal não deve ser confundida com ausência de liderança

Existem algumas posturas que convêm a um líder ausente, mas não a um líder liberal, como:

  • Participar minimamente da rotina da equipe, não aparecer no escritório;
  • Não delegar novas tarefas desafiadoras, estimulantes;
  • Não definir responsáveis por projetos ou áreas;
  • Não reconhecer esforços e pequenas, mas poderosas, conquistas;
  • Não oferecer apoio (seu ou externo) a colaboradores em seus pontos frágeis;
  • E, até mesmo, não reunir o time para momentos de descontração, para além do trabalho.

Por isso, fique atento e faça dessa análise um checklist do que NÃO fazer enquanto líder para a sua equipe. Afinal, você ainda é o principal influenciador deste grupo de pessoas que escolheram passar a maior parte do dia envolvidas em um negócio que você idealizou.

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Onde líderes liberais são bem-vindos?

Organizações ou departamentos conduzidos por líderes liberais frequentemente estão na fase de incubação ou aceleração, em desenvolvimento de produtos, ou estão envolvidos em negócios altamente criativos.

Por isso, como pondera artigo da St. Thomas University (EUA), esse estilo de liderança é particularmente relevante para empresas iniciantes, onde a inovação é crucial para o sucesso inicial de uma empresa, como:

  • Startups de todos os setores;
  • Núcleos de inovação de grandes empresas;
  • Agências de publicidade e propaganda;
  • Escritórios de design de produto;
  • Departamentos de pesquisa e desenvolvimento;
  • Empresas de investimento de capital de risco;
  • Empresas de engenharia especializadas em alta tecnologia.

Se você está se perguntando se sua equipe combina com o estilo liberal de liderança, é importante reconhecer o seguinte.

Quando a equipe também é liberal, temos um encontro feliz

Por conta disso, é fundamental que um líder liberal tenha ao seu lado uma equipe também liberal. E isso se conquista no processo de atração e recrutamento dos talentos. O que não quer dizer, no entanto, que profissionais de outro perfil, que esperam uma mão um pouco mais firme e presente do líder, não possam compor o time. Pelo contrário, a liderança está em fazer a diversidade funcionar.

Pensando nisso, vejamos a seguir.

Uma liderança liberal primorosa é aquela em que:

  • É visível como os profissionais se sentem mais autoconfiantes e passam a contribuir frequentemente com novas ideias e novas propostas;
  • A equipe conversa e compartilha conhecimento, trocando referências do que deve ser um bom trabalho e formas de solucionar os problemas que encontram;
  • Proporciona competências para que a equipe seja capaz de trabalhar com pouca informação, caso necessário.

Em contrapartida, uma liderança liberal deve ser repensada:

  • Quando os colaboradores dependem de autorização do líder para colocar em prática as atividades ou tomar uma decisão séria, e o líder se ausenta;
  • Quando falta na equipe uma segunda figura de proa, que possa orientar os primeiros passos, ou mesmo os pré-requisitos, para realizar uma tarefa bem-feita;
  • Quando os profissionais têm encontrado dificuldade para respeitar prazos ou se organizar dentro do fluxo de trabalho ideal.

Há um dilema neste estilo de gerência e não podemos ignorá-lo

Especialmente para alguém que, no passado, foi patrulhado, microgerenciado ou mesmo destratado por seu líder, a ideia de ter uma liderança liberal é apaixonante.

Já para aqueles que estão habituados a receber orientações, treinamentos, e outros modos de capacitação, um líder liberal pode ser visto como aquele que deseja extrair valor da equipe, sem antes valorizar e investir nesses profissionais.

Diante desse dilema, um líder pode perder o sono, mas também pode se valer disso como uma nota mental, para manter desperto o seu desejo de conhecer o seu time, um a um, e falar ao coração da forma mais apropriada a cada pessoa que tem na equipe.

Observe: um líder é admirado, em grande parte, porque é difícil compreender a sua habilidade de falar ao coração de cada liderado.

Conclusão

Dale Carnegie dizia que “as pessoas raramente são bem-sucedidas se não estão se divertindo no que estão fazendo”. Para aqueles que gostariam de se sentir dessa forma, e assumir a postura de uma liderança liberal em seu sentido mais feliz, ou ainda encontrar o seu real estilo de liderar, deixaremos aqui o link de acesso para o Dale Carnegie Training.

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